O profissional de publicidade e propaganda pode trabalhar em agências de publicidade, de promoção de eventos, em assessoria de empresa, em editoras, institutos de pesquisa, gráficas, departamentos de comunicação e marketing de empresas, em veículos de comunicação, em produtoras de vídeo e som e, na assessoria publicitária e de comunicação de órgãos governamentais.
Não é preciso ser graduado para trabalhar como publicitário, e segundo o presidente executivo da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), Humberto Alves Mendes, o que garante o futuro de um profissional de publicidade é o seu talento, não importando a ausência do diploma.
O mercado publicitário brasileiro é um setor que ainda está em processo de formação e se expande mais a cada ano. O mercado em Minas Gerais é pequeno se comparado ao mercado de São Paulo, onde a publicidade se compara a níveis internacionais.
Com as novas tecnologias e a internet a publicidade tem sofrido diversas mudanças, e agora trabalha com a idéia de plataformas integradas, consolidando todo o setor publicitário.
O NA ESTRADA DO JORNALISMO entrevistou Fernando D’Agostini sobre o mercado publicitário, sua regulamentação e principais atividades. A entrevista foi realizada por e-mail no dia 26 de abril de 2009.
Na Estrada do Jornalismo - Para você, o mercado de trabalho na área publicitária em Minas Gerais, é um setor desenvolvido, ou ainda está se consolidando? O que você pensa do mercado de trabalho brasileiro e do mercado internacional?
Fernando D'Agostini - Em Minas Gerais, principalmente Belo Horizonte já vivemos tempos melhores na publicidade, antes do escândalo no mensalão que envolveu um tal Marcos Valério que era ligado às duas maiores agências daqui, a SMP&B e a DNA que em conseqüência disso fecharam infelizmente. Hoje estamos muito atrás de algumas capitais do Brasil, principalmente São Paulo. Acredito que isso aconteça pela cultura dos donos de agências e anunciantes de BH, uma história complicada. O mercado daqui esta sim a caminho da consolidação, com certeza temos uma meia dúzia de agências muito boas, mas ainda caminhamos com passos muito curtos.
Sobre o mercado de trabalho no Brasil, destaco mais uma vez São Paulo que não perde para nenhuma outra cidade do mundo em qualidade de agências, por lá existem várias agências multinacionais internacionais, por isso ainda conseguimos acredito eu, nivelar o nosso trabalho com o mercado internacional. O Brasil ainda é um grande ganhador de prêmios na publicidade!
NEJ - A desobrigatoriedade de uma graduação para se exercer a profissão de publicitário prejudica os outros profissionais ou você acha que, mesmo sem a obrigatoriedade, o mercado opta por profissionais formados?
FD - Acredito que esse problema acaba prejudicando mais os anunciantes do que os profissionais, já que todo mundo acha que é um pouco publicitário. Não basta só anunciar, comprar mídia qualquer um consegue, o difícil é fazer um planejamento de mídia que seja eficiente. Assim como todo mundo acha que sabe “mexer” no photoshop ou tem um sobrinho que sabe e pede para ele mesmo fazer o logotipo da sua empresa, vejo por ai que a falta de profissionalização tem acontecido nesse sentindo. A contratação de profissionais sem formação em agência tem se tornado cada vez mais coisa do passado, quando a publicidade era uma coisa muito mais “romântica” do que uma “ciência exata”.
NEJ - Sobre a regulamentação publicitária, existe hoje algum excesso legal que limita a liberdade de criação/expressão?
FD - Existem algumas limitações sim, principalmente em comerciais de bebidas alcoólicas que são controladas pela regulamentação do CONAR. Algumas coisas são respeitadas não por uma regulamentação formal, mas pela própria cultura da publicidade brasileira, como por exemplo, a comparação de produtos concorrentes no mesmo comercial, o que é uma prática comum fora do Brasil, aqui é muito raro de acontecer. Fora isso, como tudo a criação publicitária deve trabalhar junta da ética.
NEJ - O CONAR funciona como fiscal da ética da propaganda comercial veiculada no Brasil. Você acha que ele funciona como um método de censura? Qual o seu papel na auto-regulamentação publicitária?
FD -
Não acho, o CONAR tem um regulamento em minha opinião bem leve, que não cria muitas restrições para a criação. Suas avaliações são bem subjetivas, o que leva as vezes até a uma certa confusão do que é permitido ou não. Na maioria das vezes quando um comercial é tirado do ar, a falta de aceitação parte primeiro da opinião pública que é enviada para o CONAR, a partir disso eles tratam de fazer a devida avaliação para saber se realmente aquela propaganda fere de alguma forma a ética. Se existe uma censura ai, então ela vem direto do público.NEJ - Com a expansão dos meios de comunicação devido ao surgimento de novas tecnologias, que mudanças a web têm proporcionado à publicidade?
FD - Essa é uma pergunta bem interessante. Em minha opinião o futuro da publicidade esta nessas novas tecnologias, principalmente com o uso da web 2.0. Hoje em dia se fala muito no meio em mídias interativas, a TV digital e suas possibilidades para a publicidade é uma coisa fantástica.
Além disso, existem várias ferramentas que estão começando a serem exploradas como as redes sociais e blogs. As possibilidades com a web 2.0 são enormes e isso é tudo muito incrível (eu fico um pouco empolgado com isso tudo RS!)
Com certeza estamos vivendo uma revolução, os antigos meios como T.V., anuncio em jornal, outdoors e etc. estão morrendo e quem não se ligar nisso vai ficar pra trás e vai ser extinto como os dinossauros!
NEJ - Sendo uma profissão dinâmica, quais são as principais atividades que um publicitário pode exercer?
FD - Nessa eu vou ser bem breve e direto. Redação, direção de arte, diretor de criação, web, R.T.V.C., produção gráfica, atendimento, finalização, trafego de agência, pode trabalhar em veículos, produtoras e no setor de comunicação de empresas. Acho que é isso.
PERFIL DO ENTREVISTADO
Nome: Fernando Ferreira D'AgostiniIdade: 23 anos
Formação acadêmica: Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário Newton Paiva
Profissão: Diretor de Arte