Com a invasão das cores na música brasileira, bandas de gêneros “tradicionais” têm dificuldades de alcançar o sucesso
Verde-limão, amarelo, laranja, roxo, vermelho. As bandas que alcançam o sucesso atualmente apostam em visuais coloridos, melodias aceleradas e letras românticas para chamar atenção do público e os jovens adoram. Enquanto essa onda multicolorida invade as paradas de sucesso, outras bandas, de gêneros mais “tradicionais”, tocam em garagens, festivais e bares, correndo atrás de público e empresário para que seus trabalhos atinjam - no mínimo - o reconhecimento nacional.
O estudante de Direito, Bruno Tourino, conta que não é fácil conseguir estabilidade financeira com sua banda. “Quase todos os integrantes da banda trabalham porque não dá para pagar os ensaios, a divulgação dos nossos shows e transporte com o que ganhamos com as apresentações”, disse o guitarrista e vocalista da banda Retrop.
Tocando em casas noturnas de Belo Horizonte e no interior de Minas Gerais, os meninos com visual preto e branco da Retrop parecem peixes fora d’água nos festivais de música em que participam, mas Tourino não vê problemas no arco-íris que invadiu o cenário musical brasileiro. “A predominância do emocore não faz com que a música brasileira fique restrita a isso. Pelo contrário, faz com que as bandas de outros gêneros, se alcançarem o sucesso, surjam com mais destaque”, afirma.
O músico José Oto acredita que, com o tempo, a criação de bandas ficou mais fácil com o barateamento de custo dos instrumentos musicais e estúdios, mas acredita que as pessoas têm dificuldade de aceitar novos gêneros. “A população está acostumada a escutar o que é massificado pela mídia. Se houvesse diversificação de ritmos as pessoas treinariam seus ouvidos para novos estilos”, explica Oto, que tocava triângulo e cantava no Trio Classe A, que, apesar do nome, é uma banda de forró.
Gêneros diferentes, mesmas dificuldades. “A falta de patrocínio, de incentivo e de um empresário formam um obstáculo quase intransponível para as bandas independentes. Temos que correr atrás da divulgação, de onde tocar, o que é difícil, pois não dá para nos dedicarmos totalmente às bandas e geralmente ninguém nos leva a sério”, justifica Bruno. No forró, as dificuldades são basicamente as mesmas. “Quanto mais apoio financeiro menos dificuldades um grupo encontra”, acrescenta José Oto.
Mas os músicos não-coloridos contam com novas ferramentas para contornar a falta de divulgação e de um empresário: as redes sociais. “Por se apoiar na interatividade que a internet proporciona, as redes sociais criam um canal de comunicação entre empresa e cliente, sendo um meio de comunicação direto, barato e eficiente”, garante a publicitária Erika Viveiros. Tão fácil que as próprias bandas podem controlar os recursos on-line. “A internet é uma das opções de divulgação e é tão fácil que nós mesmos monitoramos as contas no MySpace, Orkut e Twitter”, disse Bruno se referindo às redes sociais que a banda Retrop está vinculada.
Para Erika, artistas como Malu Magalhães e a banda Vanguart tinham, desde o princípio, conhecimento do poder de dispersão que a internet possui, e aliaram seu talento a isso de maneira eficiente. A publicitária acredita que bandas independentes como a Retrop e o Trio Classe A devem usar as redes sociais como forma de interação com seus fãs e alerta: “elas devem ser usadas não apenas para transmitir informação, mas também para ouvir o que o público tem a dizer”.
domingo, 17 de outubro de 2010
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